Começou neste sábado (1) e vai até o próximo sábado (8) a 7ª Mostra Competitiva de Cinema Negro Adélia Sampaio, que toma conta de Brasília com o tema “Memória”. O evento celebra os 80 anos da pioneira do cinema negro brasileiro, com objetivo de reafirmar a força da imagem como instrumento de identidade, resistência e afeto.
O Cine Brasília, a Casa Niemeyer e a Universidade de Brasília (UnB) recebem os encontros de celebração da produção audiovisual feita por mulheres negras no Brasil e de países africanos. A programação inclui exibição de filmes, exposição fotográfica, oficinas formativas, masterclasses, debates, lançamentos de livros e shows culturais, todos com entrada gratuita.
Para a professora Edileuza Penha de Souza, idealizadora da mostra, a edição de 2025 reafirma o compromisso com o legado e a valorização das cineastas negras. “Nessa edição, a gente homenageia os 80 anos de Adélia. A importância dessa experiência é não só homenagear em vida a primeira cineasta negra brasileira, como reunir no Planalto Central filmes do Brasil inteiro e também internacionais”.
Souza destaca ainda o caráter internacional da mostra, que neste ano exibe produções de países africanos de língua portuguesa. “Esse ano a gente tem a exibição de Pirinha, de uma cineasta de Moçambique, Cabo Verde. Tivemos vários outros filmes internacionais inscritos”, conta a professora, ressaltando a potência do diálogo entre o cinema negro brasileiro e o da diáspora.
Mais do que uma homenagem, o evento também pretende gerar um espaço de reflexão sobre o papel do cinema negro no momento em que o país ainda enfrenta as marcas de desigualdades estruturais. “É uma mostra que celebra o amor, o afeto, a vida. Falar de cinema negro no feminino, sobretudo neste momento em que o Brasil vive um luto de famílias negras, é falar sobre vida, é falar sobre luz, é falar do quanto o cinema negro no feminino possibilita sonhos”, afirma a organizadora.
A primeira cineasta negra da América Latina concedeu entrevista ao Brasil de Fato DF em 2022, durante a 5ª edição da Mostra Competitiva de Cinema Negro. Adélia Sampaio falou do racismo ainda presente na sociedade e no mercado audiovisual, da sua obra de estreia que retratou um casal de lésbicas em Amor Maldito (1984), e refletiu sobre o cinema.
“Hoje em dia, eu volto a dizer, cinema é uma coisa da expressão, da emoção humana, da narrativa. Se não tiver um desses três elementos, não é cinema, é um monte de película colada, não emociona”, afirmou. Leia a entrevista completa neste link.
Oficinas formativas
A programação formativa da 7ª Mostra Competitiva de Cinema Negro Adélia Sampaio acontece nos dias 4, 5 e 6 de novembro, das 9h às 12h, na Faculdade de Comunicação da UnB. Ministradas por profissionais renomadas do audiovisual negro como Joyce Prado, diretora e roteirista premiada, que comanda a oficina de Roteiro Audiovisual; Ana Caroline Brito, cineasta e produtora cultural, conduz a oficina de Assistência de Direção; e Ada Souza, técnica e gaffer brasiliense, que ensina os fundamentos de Elétrica e Maquinária no set de filmagem.
Essas atividades buscam fortalecer a dimensão pedagógica do evento, criando pontes entre diferentes gerações de realizadoras. Segundo a organização, o objetivo é ampliar o acesso de jovens negras ao campo do audiovisual e estimular novas narrativas sobre o Brasil e o mundo a partir de perspectivas plurais.
Serviço
7ª Mostra Competitiva de Cinema Negro Adélia Sampaio – Tema: “Memória”
De 1º a 8 de novembro de 2025
Cine Brasília, Universidade de Brasília (UnB) e Casa Niemeyer
Entrada gratuita
Programação completa disponível nos canais oficiais da Mostra Adélia Sampaio (acesse neste link).