Na sessão desta quinta-feira (19), a deputada estadual Leci Brandão ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) para expressar a sua profunda indignação perante os acontecimentos recentes na casa. Aos 81 anos de vida, a parlamentar classificou as cenas presenciadas como “revoltantes e abjetas”, destacando que o ambiente legislativo deve ser um espaço de respeito e não de reprodução de crimes. Leci foi enfática ao afirmar que o racismo e a transfobia não podem ser tolerados sob qualquer pretexto de liberdade de expressão ou manobra política.
A deputada condenou duramente a prática do “blackface”, sublinhando que a dor do povo preto não deve ser utilizada como entretenimento ou recurso demagógico. “A nossa dor não é entretenimento e muito menos recurso para fazer demagogia com uma pauta tão importante quanto a luta das mulheres por justiça e igualdade”, declarou. Além disso, Leci defendeu a legitimidade das mulheres trans, criticando as tentativas de exclusão baseadas em falácias biológicas que alimentam o discurso de ódio e a violência contra a comunidade LGBT+ no Brasil.
Ao encerrar o seu pronunciamento, Leci Brandão prestou solidariedade à deputada federal Erika Hilton, elogiando a sua capacidade intelectual e o seu trabalho parlamentar em defesa das mulheres. A deputada confirmou ainda que assinou a representação no Conselho de Ética da ALESP para que o ocorrido seja devidamente apurado. “É inadmissível evocar pautas legítimas de mulheres e de negros para humilhar e negar a cidadania das pessoas trans”, concluiu, reafirmando a sua postura firme contra o retrocesso e a favor de um parlamento mais ético e inclusivo.
Assista ao vídeo completo: