O II Encontro Paulista de Pesquisadoras/es e Estudantes Antirracismo, evento preparatório para o COPENE/2026, consolidou-se como um marco na luta por justiça racial no Brasil. Organizado pelo Gabinete da Deputada Estadual Leci Brandão, o encontro mobilizou a comunidade acadêmica e os movimentos sociais na última segunda-feira, 15 de junho, em um dia intenso de debates e articulações. Realizado das 9h às 22h, o evento teve como foco central a luta antirracista, a permanência de estudantes negros na universidade e a construção de uma agenda política robusta em defesa da educação e da reparação histórica. A programação diversificada incluiu mesas de debate com renomados especialistas, representantes estudantis e políticos, além de intervenções culturais e um show de encerramento, sublinhando a importância da transversalidade na pauta antirracista.
A manhã foi inaugurada pela Mesa de Abertura, que abordou o tema “Universidade, Racismo e Epistemologias Negras: A Disputa pelo Conhecimento”. O painel contou com a participação de importantes vozes do cenário acadêmico, como o Prof. Dr. Juarez Tadeu de Paula Xavier (UNESP), a Profa. Dra. Ana Cristina Juvenal (UFSCAR), a Profa. Dra. Débora Jeffrey (UNICAMP), o Prof. Dr. Deivison Faustino (USP) e a Profa. Dra. Renísia Filice (ABPN). A Deputada Estadual Leci Brandão, anfitriã e coordenadora da mesa, enfatizou a relevância do espaço.
No período da tarde, a Mesa 2, intitulada “Combate ao Racismo na Universidade: Organização Estudantil e Movimento Negro na Conjuntura Atual”, aprofundou o debate sobre o papel da juventude negra universitária. Roberta Pontes, Presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), destacou a urgência da mobilização. “A juventude negra universitária é a vanguarda desta luta. Não basta entrar na universidade; é preciso transformá-la. Exigimos permanência, respeito e que o racismo institucional seja extirpado de nossas instituições de ensino, construindo um futuro onde a diversidade seja a regra, não a exceção”, declarou Pontes, ecoando o sentimento de milhares de estudantes. O Prof. Dr. Deivison Faustino complementou: “O racismo é uma estrutura que se manifesta em todos os níveis, inclusive no acesso e na produção do conhecimento. Debater o racismo na universidade é debater a própria democracia e a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.”
O final da tarde e início da noite foram dedicados à Mesa 3: “Organizar, Articular e Transformar: Agenda Antirracista Paulista em Defesa da Educação e da PEC da Reparação!”. Este painel reuniu figuras políticas e lideranças de movimentos negros e estudantis, como o Deputado Federal Orlando Silva e o Sr. José Vicente, Reitor da Universidade Zumbi dos Palmares. A discussão girou em torno da construção de uma agenda antirracista robusta para o estado de São Paulo, com foco na defesa da educação pública e na urgência da PEC da Reparação. O Deputado Federal Orlando Silva foi enfático: “A PEC da Reparação não é um favor, é uma dívida histórica. É um imperativo moral e político que o Estado brasileiro reconheça e repare os danos causados por séculos de escravidão e discriminação. Nossa agenda antirracista passa pela educação, mas culmina na justiça reparatória.”
O evento, coordenado pelos Representantes do Fórum dos NEABs, encerrou suas atividades com uma vibrante intervenção cultural e artística, que incluiu uma feira de estandes e um show de encerramento com o renomado rapper RAPPIN HOOD. A presença do artista celebrou a cultura negra e a resistência, reforçando a mensagem de que a luta antirracista também se manifesta através da arte e da celebração da identidade. O II Encontro Paulista Antirracismo, com a liderança do Gabinete da Deputada Leci Brandão, consolidou-se como um espaço fundamental para a articulação de estratégias e o fortalecimento do movimento negro e estudantil na construção de uma sociedade mais equitativa e justa.