Dia de Ogum reafirma o compromisso com as raízes africanas e o combate à intolerância religiosa

Iniciativa da deputada Leci Brandão reuniu lideranças e o cantor Dudu Nobre para exaltar as raízes africanas e combater a intolerância

No último dia 29 de abril, data em que se celebra o Dia de Ogum, o Memorial da América Latina, em São Paulo, foi palco de um encontro potente e necessário: o II Colóquio Estadual sobre Racismo Religioso. Organizado pela deputada estadual Leci Brandão, o evento teve como objetivo central debater o enfrentamento à intolerância religiosa e valorizar as tradições de matriz africana que compõem o cerne da identidade brasileira. O encontro foi marcado por apresentação cultural, danças ancestrais e discursos que refLeci Brandão enfatizou que o respeito à religiosidade é, antes de tudo, um compromisso com a história do país. A parlamentar destacou que sua trajetória é pautada pelo reconhecimento de quem veio antes: “Eu acho que é uma coisa que faz parte da nossa história. Acima de tudo, a gente tem que respeitar nossa ancestralidade… a ancestralidade é que segura as nossas raízes de verdade”, afirmou a deputada. Ela reiterou que faz questão de pedir palmas à ancestralidade em todos os seus pronunciamentos públicos.

O evento também contou com a presença do deputado federal Orlando Silva, aliado histórico de Leci, que acompanhou as discussões sobre a proteção jurídica e social das comunidades tradicionais. A união das lideranças políticas reforçou o caráter institucional do colóquio, que busca transformar o debate sobre liberdade de crença em políticas públicas efetivas contra o racismo religioso no estado.

A parte cultural foi coroada com a presença de Dudu Nobre, que ressaltou a conexão intrínseca entre o samba e a espiritualidade negra. O artista explicou que eventos como este são essenciais para combater a estigmatização das fés africanas: “A gente tem visto uma aproximação muito grande do samba com a religião… e eu acho que eventos como esse são muito necessários justamente para estar marcando território e mostrando o quanto é importante a mudança de mentalidade de uma parcela da nossa sociedade que, infelizmente, demoniza as religiões de matriz africana”, pontuou Dudu.

O colóquio encerrou-se com uma celebração coletiva, unindo o povo de santo, parlamentares e estudantes. Para os organizadores, realizar tal debate no Memorial da América Latina simboliza a ocupação de espaços de poder pela cultura preta, reafirmando que a luta de Ogum contra as injustiças continua viva na busca por um Brasil mais tolerante e consciente de suas origens.

 

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