Espaço Cultura e Diversidade
Quarta, 19 Setembro 2018 16:46

Iphan reconhece o Sistema Agrícola Tradicional dos quilombos do Vale do Ribeira como Patrimônio Imaterial

Iphan reconhece o Sistema Agrícola Tradicional dos quilombos do Vale do Ribeira como Patrimônio Imaterial


No próximo dia 20 de setembro, o Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) seu reunirá no Rio de Janeiro para deliberar, entre outros assuntos, sobre o Registro do Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira como patrimônio cultural imaterial do Brasil.


A região conhecida como Vale do Ribeira está localizada entre o sul do estado de São Paulo e o norte do estado do Paraná. Abriga cerca de 21% dos remanescentes da Mata Atlântica ainda existentes no Brasil, constituindo a maior área contínua desse ecossistema em todo o país. Esse patrimônio natural é resguardado por 24 unidades de conservação, integrais ou parciais, nas quais se busca preservar as espécies animais e vegetais que compõem a rica biodiversidade local.


Uma característica singular da região é que as áreas preservadas não se encontram apenas nos parques e estações ecológicas, mas também em terras indígenas, quilombolas e nos bairros rurais, onde predomina a pequena agricultura de subsistência. Muitos desses grupos ainda mantêm insumos, técnicas e costumes tradicionais, legados de gerações passadas, no desempenho de suas atividades agrícolas, criando um sistema próprio de cultivo e de relações com o meio ambiente. Esse é o caso das comunidades remanescentes de quilombos existentes na região.

vale pequena

O Sistema Agrícola Tradicional (SAT) das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira consiste nos saberes e modos de fazer relacionados às práticas agrícolas que essas comunidades mantêm em seus territórios. Algumas dessas práticas remetem a séculos de existência e não dizem respeito somente ao ato de plantar e colher alimentos. Estão relacionadas também às roças de coivara itinerantes, à diversidade das espécies vegetais manejadas, aos métodos e à cultura material relacionada ao preparo dos alimentos, aos arranjos produtivos locais, às redes de troca e comercialização, aos contextos de transmissão de conhecimento e de consumo alimentar que envolvem expressões de música e dança. Portanto, é uma expressão cultural que possui múltiplas dimensões.


Os principais cultivares plantados nas roças quilombolas são a mandioca, o milho, o feijão e o arroz. Mas uma série de outras plantas também contribuem para a segurança alimentar. Vale ressaltar que as espécies cultivadas são crioulas, cultivadas e mantidas pelos próprios agricultores e distribuídas por meio de um sistema de trocas que envolve diversas comunidades. Levantamento realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) apontou mais de 240 variedades de plantas manejadas nas roças e quintais quilombolas para finalidades alimentares, medicinais e outras (construção de casas e confecção de peças).


O cultivo de alimentos foi uma condição para a permanência das comunidades quilombolas nos vales e montanhas mais remotos da região. Ao longo de centenas de anos de interação com o espaço, eles criaram suas formas próprias de organização social, usos e representações do território, marcando a paisagem do Vale do Ribeira. Embora o sistema agrícola tradicional venha se transformando ao longo do tempo, pode-se dizer que ele é o resultado histórico da experiência dessas comunidades desde o período colonial, e continua a ser o principal meio de vida para muitas famílias.

41830071 2041445709245592 899986001462558720 n
A maior ameaça para a continuidade desse sistema, conforme apontado pelos próprios quilombolas, é a que pesa sobre a viabilidade de manter o modo de fazer a roça. O sistema conhecido como coivara consiste no uso do fogo para abrir clareiras e nutrir o solo. Porém, aos olhos da legislação ambiental, essa técnica oferece riscos à mata nativa e por essa razão deve ser controlada. Acrescenta-se a isso o fato de que, ao longo da história, os territórios tradicionais quilombolas foram sobrepostos por unidades de conservação, aumentando a vigilância e o controle dos órgãos ambientais sobre as suas práticas agrícolas.


Com o reconhecimento desse sistema agrícola tradicional como patrimônio cultural imaterial brasileiro, espera-se chamar a atenção para dois de seus aspectos principais: primeiro, a importância da roça para a subsistência das comunidades locais e a manutenção de seu modo de vida tradicional; segundo, a manutenção desse sistema favorece a preservação e a disseminação de um patrimônio genético que, se deixado à sua própria sorte, possivelmente se perderia de maneira irremediável.

40061677 2013397035383793 3452829251269558272 n

SISTEMAS AGRÍCOLAS TRADICIONAIS
Os povos e comunidades tradicionais possuem formas únicas de praticar a agricultura, que expressam saberes particulares, envolvendo desde o cultivo da terra até diversos outros processos simbólicos e produtivos, de maneira integrada, constituindo os chamados Sistemas Agrícolas Tradicionais.


Um SAT pode ser definido como um conjunto de elementos que inclui saberes, mitos, formas de organização social, práticas, produtos, técnicas/artefatos e outras manifestações associadas. Eles formam sistemas culturais que envolvem espaços, práticas alimentares e agroecossistemas manejados por povos e comunidades tradicionais e por agricultores familiares. Os SATs integram o patrimônio cultural imaterial das comunidades que os praticam.

Ler 239 vezes

parceria

Seja Bem-Vind@ | Conheça Leci | Propostas | Notícias | Espaço Cultura e Diversidade | Informativos fala Leci | Mais Publicações

Gabinete da Deputada Leci Brandão
Av. Pedro Alvares Cabral, 201, sala 3024, 3º andar
São Paulo - SP - Fone: (11) 3886-6790
Secretaria e agendamento: lecibrandao@al.sp.gov.br
Comunicação e imprensa: deputadalecibrandao@gmail.com
Desenvolvido por MOVIMENTO WEB E ARTES GRÁFICAS E WEBGERAL